Na sua essência, vibrar na flauta transversal ou noutro instrumento de sopro é semelhante, contudo é verdade que devido à embocadura livre da flauta, a natureza do fenómeno vibratório ganha outra profundidade. Tal como na imagem, a gota de água (o ar) cria um impacto (transitório de ataque, articulação), ela gera as ondas que se extinguem logo depois. Vibrar ou fazer vibrato pretende designar a técnica que nos permite alimentar essas ondas, de modo a que não se extingam. Vibrar é sobretudo uma ferramenta expressiva, afinal, ninguém gosta de ouvir muito tempo uma sirene ou um som senoidal (sinusoide ou onda sinusoidal, em Portugal). Experimente aqui.
- Por um lado, embora a vibração seja um fenómeno natural e espontâneo, uma parte da vibração ou oscilação é iniciada pelos constituintes intrínsecos ao som (harmónicos e sons diferenciais). As dificuldades do aprendiz em vibrar têm a ver com o excesso de tensão na emissão do som (pobreza dos constituintes que referi).
- A alimentação desta vibração serve para ampliar a ressonância do som produzido, o que produz um efeito de levitação (tipo maglev), exigindo o relaxamento do executante, de outro modo, esta vibração intrínseca será absorvida pelo nosso corpo. Repito, o aprendiz tem habitualmente dificuldade em vibrar, quando há tensão nas mãos, dedos, lábios e anexos faciais.
- A outra parte da vibração é o fluxo variável do ar que emitimos para a flauta, esta variação é induzida pelos constituintes intrínsecos e a amplitude é modelada a gosto pelo executante (imagem em baixo), de modo a servir propósitos expressivo-musicais.
- O tamanho do som depende da inércia criada por cada vibração e do somatório da sua ressonância, muito à semelhança do feedback num microfone/coluna de som. O tamanho do som não depende assim tanto da força directa da coluna de ar (o que tende a enganar a percepção do aprendiz), forçar a embocadura, assoprar com mais velocidade o ar, apenas gera um nível crítico e instável, onde o som falha.
- Tudo no universo tende a manter o equilíbrio orbitando em redor de um ponto e não permanecendo imóvel. A imobilidade é mera aparência, qualquer sistema só relaxa quando internamente é dinâmico, de outra forma, a tensão exterioriza-se e um ponto crítico é atingido, perdendo-se todo controlo. O mesmo se passa com a postura do flautista, o seu relaxamento e respiração.
Forçando o vibrar, a vibração
Tenho visto este assunto mal tratado, que fique esclarecido, não tende parecer aquilo que não é, só terá complicações.
O que é afinal o vibrato?
Vibrar é o efeito ou resultado, a consequência de algo, será algo equivalente à reflexão de um espelho.
Repare, sentir a vibração de alguém é detectar a onda da pessoa, como se essa sensação nos informasse antecipadamente sobre o "emissor", de facto, está provado que somos seres electromagnéticos, produzimos luz 1000x inferior à nossa percepção visual, assim como produzimos calor (infravermelhos).
A nossa vibração é o reflexo do nosso estado energético (saúde) mas também reflecte o estado do tocador ou performer. Uma verdadeira marca individual, bem mais complexa que a impressão digital.
Expressão de si mesmo
A expressão de si mesmo é uma necessidade universal, é tão variada quanto o nível energético de cada um, há pessoas que se expressam de uma forma adequada à exposição sobre um palco, outros não. Para alguns, subir a um palco é algo tão terapêutico quanto para outros é uma pica por chocolate ou por subir ao Everest. Uns equilibram-se com o palco, outros com o Evereste, outros ainda, com chá quente!!! Temos que buscar o que precisamos, não o que nos dizem que precisamos, para isso, é preciso que nos conheçamos a nós mesmos. É comum misturar a moda e a fama, o reconhecimento social ou financeiro com o que realmente as coisas significam para cada um. Somos todos diferentes, porque raio tentamos ser todos iguais?
Vibrar é universal, cada ser possui uma "pressão intrínseca" no seu Ser, poderemos falar em conflito energético, os gregos falavam na predominância dos elementos Terra, Água, Ar ou Fogo, curiosamente este último elemento é o que mais é expresso em palco e o que tem mais relação com a identidade do Ser. Aprender a vibrar, forçando aquela que é a nossa própria onda, pela adopção de modelos que pouco nos dizem respeito, leva-nos ao risco de distorcer o Todo psicomotor específico a cada indivíduo.
Praticar um estudo de vibrato que nos leve a algo pensado, artificial, rígido que para além de custoso nunca será eficaz ou vivenciado com prazer, esse vibrato não nos representa nem nos reflecte, é impessoal e nunca resultará nem para si nem para o ouvinte. Expressar é brilhar de acordo com a nossa chama interior, de outro modo, somos consumidos rapidamente. Entende agora porque nos inspiram os grandes intérpretes?
Vibração, surge naturalmente num sistema equilibrado, conhecer-se a si mesmo (identidade) deve ser a sua busca, é a fonte da sua magia e brilho, uma eterna dança de desequilibro dinâmico, onde a contenção determina a diferença entre um estado de equilíbrio/desequilibro efectivo.
Sem auto-estima, qualquer expressão (expansiva) é uma tortura. Como pode vibrar se no seu interior não há uma alma intensa, ou seja, alguém que se conhece, tem confiança em si e uma boa auto-imagem (nada tem a ver com a beleza física, sublinho).
- Apreciar e tirar prazer da nossa capacidade de contenção é a "caixa de velocidades" de um tocador.
- A sua coerência (auto-reforço) é o motor, a sua potência é tanto mais elevada quanto maior a Vontade, não a que quer ter, mas a que lhe é própria ao Ser. Sabe qual o sentido da sua vida?
- Depois, seja simples e o segredo está em encontrar o caminho para que nos integremos no Universo. Escute, cada emoção, sentimento e estado de alma tem a sua vibração - Você tem uma história para contar!!!









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